Em resumo
A prefiguração é a representação, no presente, do mundo futuro que desejamos ver. Ações e práticas prefigurativas nos permitem experimentar por nós mesmos que um mundo melhor não é apenas necessário, como também possível.
Origens
O termo prefiguração foi cunhado pelo acadêmico norte-americano Carl Boggs nos anos 1970 e posteriormente aplicado ao movimento feminista pela escritora socialista-feminista britânica Sheila Rowbotham. Segundo Boggs, o objetivo é encarnar “dentro da prática política corrente de um movimento… as formas de relações sociais, tomada de decisão, cultura e experiência humana que são seu objetivo final".
A idéia básica de "política prefigurativa" é que nossas ações podem e devem ir além de apenas resistir aos males no mundo; também podemos representar (ou "prefigurar") o mundo que queremos. Em vez de apenas lutar contra problemas, podemos construir e viver soluções alternativas aqui e agora. Se você está tentando bloquear um oleoduto, por exemplo, por que não construir um celeiro movido a energia solar enquanto isso?
Não podemos criar um mundo que ainda não imaginamos. Melhor se já o tivermos provado.
A onda de ocupações que abalou o mundo do Cairo a Wall Street em 2011 não foi apenas protestos contra a ditadura e o capitalismo descontrolado. Foram, também, laboratórios prefigurativos onde pessoas comuns experimentavam a democracia radical. Não podemos criar um mundo melhor se, pelo menos, não tivermos imaginado como seria esse mundo. Quão melhor, então, se formos capazes de tocar em tal mundo, experimentá-lo diretamente e até viver nele, mesmo que por um breve momento.
Princípio chave
Você pode falar sobre utopia, o mundo melhor que você sonha e como as coisas poderiam ser diferentes até desmaiar, e ninguém vai prestar atenção. Você pode nem acreditar no que está dizendo, mas criar uma experiência vivida da mudança que você busca (seja ela uma manchete profética que, por 15 segundos, você acredita ser verdade, ou uma bicicleta disponível para qualquer um usar) é a melhor forma de romper com o cinismo, estimulando a imaginação política e afirmando que, sim, outro mundo é possível. Afinal, não podemos criar um mundo que ainda não imaginamos. Melhor se já o tivermos experimentado.
Exemplos do mundo real

Brazilian land activists occupied a sprawling estate due to its ties with the country’s Vice President Michel Temer.

500 solar panels crowded BP’s London office, a prefigurative intervention to the climate crisis.