Em resumo
As boas ações contam uma boa história; boas histórias giram em torno de personagens que geram empatia. Os personagens que mais geram empatia não apenas são membros da comunidade afetada, mas também são aqueles com quem as pessoas de fora se conectam facilmente.
Ao planejar uma ação, montar um elenco atrativo de personagens é uma consideração estratégica crucial. Ações costumam ter facilidade em apontar e difamar antagonistas de suas narrativas, mas o público se importará muito mais com a injustiça se conseguir se conectar com as pessoas afetadas. Geralmente, ações bem-sucedidas são aquelas que apresentam protagonistas fortes e que provocam empatia.
O papel dos mensageiros que contam a história de uma ação é fundamental. Eles incorporam a mensagem dando um rosto ao conflito e situando a ação em um contexto maior. Os mais afetados pelo problema tendem a ser mensageiros mais simpáticos e atrativos. Por exemplo, se a ação diz respeito a trabalhadores rurais, pode ser mais efetivo amplificar as vozes de um pequeno grupo que está agindo no campo do que de um conjunto maior de trabalhadores não agrícolas para falar em seu nome. (Claro que ações solidárias certamente têm seu lugar, veja: Boicote à Taco Bell.)
O público se importará muito mais com a injustiça se conseguir se conectar com as pessoas afetadas.
Os detentores do poder entendem a importância de usar personagens simpáticos. Por exemplo, os cortes relacionados ao bem-estar social são muitas vezes apresentados como benefícios para as mães que trabalham, enquanto isenções tributárias a empresas são vendidas como propulsoras de empregos. A todo momento, os poderosos jogam um grupo de personagens simpáticos contra outro, ou argumentam com a duplicidade orwelliana de que as vítimas de uma determinada política vão, na verdade, se beneficiar dela.
Nesses casos, uma campanha se torna uma disputa sobre quem fala pelos que sofrem. Com quem simpatizamos? Esses personagens realmente têm espaço para falar por si mesmos? Há um duelo entre os mensageiros que disputam quem são os representantes autênticos das comunidades afetadas.
Nos últimos anos, vimos vários levantes contra governos repressores enquadrados explicitamente com personagens simpáticos. Em Mianmar, os monges se tornaram a nova cara do movimento pró-democracia, substituindo os estudantes das mobilizações de 1988 como principais mensageiros. Obviamente, muitos setores da sociedade apoiaram o movimento, e com os monges à frente das marchas ficou claro que o movimento falava pela consciência da nação. Da mesma forma, no Paquistão, advogados se tornaram o rosto da luta contra a impunidade do governo. Quem melhor para incorporar a mensagem da necessidade de respeitar o Estado de direito do que os advogados?
É importante garantir que os rostos da ação não sejam apenas representativos da comunidade impactada, mas também sejam facilmente reconhecíveis como protagonistas por pessoas de outros contextos. Isso pode se resumir à dinâmica crua, mas importante, do figurino: um único líder religioso vestido a caráter comunicará melhor o fato que pessoas de fé estão envolvidas na ação do que vinte líderes religiosos usando jeans e moletons (veja: PRINCÍPIO: Não se vista como um manifestante.
Originalmente publicado em Beautiful Trouble.
Exemplos do mundo real

Police arrested 35 people, including clergy, in Los Angeles during a protest over actions by U.S. Immigration and Customs Enforcement agents.