Em resumo
Depois que seu movimento tiver uma história, estrutura e estratégia explícitas, você pode ganhar escala rapidamente se encontrar formas das pessoas se mobilizarem usando recursos que já estão prontamente disponíveis em suas vidas cotidianas.
Mighty oaks from little acorns grow.
— English Proverb
Os movimentos costumam vencer porque têm mais jogadores do que o outro time. Ao invés de recrutar esses jogadores manualmente, os membros centrais de um movimento podem “hackear o sistema” usando estratégias de mobilização capazes de ganhar escala e adaptando as táticas para o local onde as pessoas estão. Isso permite que os movimentos recrutem “por multiplicação” ao invés de um simples recrutamento “por adição”. O movimento Occupy Wall Street se espalhou pelo mundo organicamente porque, em todos os lugares, as pessoas estavam indignadas com o poder corporativo, e todas elas conseguiram encontrar um local significativo para ocupar.
Movimentos “de código aberto” – que permitem que pessoas de todos os lugares formem estruturas e ajam sem permissão direta de um órgão central – são efetivamente auto-recrutadores. A unidade e disciplina vêm menos de uma estrutura de liderança de cima para baixo e mais de um conjunto compartilhado de princípios éticos e operacionais, ou “DNA do movimento”.
Movimentos “de código aberto” são efetivamente auto-recrutadores.
A Liga Nacional de Defesa da Terra (de sigla em inglês NLDL) de Uganda cresceu rapidamente depois que trocou reuniões centralizadas por uma estratégia de formação de células descentralizadas e baseadas em refeições conjuntas. A ideia era simples e acessível para os fazendeiros mais pobres de Uganda. Usando pão de painço como o símbolo nacional da NLDL, qualquer fazendeiro conseguia chamar seus vizinhos para um jantar para discutir estratégias locais de resistência ao roubo de terras.
Essa estratégia é boa não apenas para um movimento em crescimento como também para ajudar os movimentos a se tornarem mais resilientes. Quando 200 fazendeiros de Uganda ocuparam um escritório das Nações Unidas para protestar contra os despejos militarizados, células da NLDL que já tinham se auto-organizado entre fazendeiros em outras regiões do país arrecadaram doações de produtos locais e as levaram aos ocupantes.
Na Dinamarca, depois que as estratégias de austeridade de 2016 dificultaram o acesso a benefícios, pessoas com deficiência e seus aliados construíram equipes de apoio em cidades de todo o país sob o nome de Næstehjælperne (“ajudante próximo”). Por meio de páginas no Facebook e reuniões presenciais, formaram-se comunidades de apoio a quem se sentia só em sua busca pela garantia de benefícios. Essas redes de pessoas com deficiência baseadas em auto-filiação começaram a aparecer em grandes grupos nas entrevistas individuais do sistema de seguridade social. Com isso, construíram alianças com assistentes sociais e conquistaram mais entrevistas bem-sucedidas para seus membros.
Seguindo o modelo descentralizado de mobilização da Momentum, os jovens ativistas pelo clima da Sunrise, nos EUA, conseguiram criar um “redemoinho” em torno do Green New Deal. Como a Sunrise recruta? Quaisquer três pessoas em qualquer lugar do país que digam em voz alta sua declaração de princípios tornam-se automaticamente parte do movimento :-).
A Sunrise segue a teoria de construção de movimentos do “Ciclo de Ímpeto”, que vai da Escala à Ativação de Apoio Público à Absorção desse novo apoio no movimento crescente. Nessa terceira fase de Absorção, o auto-recrutamento descentralizado é chave:
Para conseguir ganhar escala, os movimentos precisam descentralizar para alcançar capacidade de absorver novos membros durante momentos críticos de notoriedade pública. Para descentralizar sem colapsar no caos, os movimentos devem antecipar a construção da sua história, estratégia e estrutura.
Uma estratégia de mobilização capaz de ganhar escala é descentralizada e tem vasto alcance geográfico ou demográfico; ao mesmo tempo, ela une as pessoas localmente de maneiras acessíveis que constroem comunidade, e tem um DNA de movimento (também conhecido como “história, estratégia e estrutura”) suficiente para manter união e foco.
E usar estratégias que são acessíveis para as pessoas em suas vidas cotidianas não apenas permite o recrutamento orgânico como constrói uma cultura de solidariedade e apoio dentro do movimento.
Exemplos do mundo real

The Occupy Movement’s structure and process enabled it to multiply and decentralize membership.

Decentralized campaign in Jordan to combat school drop-out rate by encouraging parents to spend 6 minutes reading with their children every day.

How would Jesus recruit? A homeless peasant of Nazareth teaches us the "how" of building a movement.

In this webinar, Johnson Yeung, a key organizer of Hong Kong's Umbrella Movement, shares learnings on how to scale a mass movement.