Em resumo
Nossa jornada rumo a um mundo melhor pode – e muitas vezes deve – ser uma experiência estimulante e alegre! Encontre prazer no processo, como afirmou adrienne maree brown: “Sentir-se bem não é frívolo, é libertador”.
Em 2018, uma adolescente iraniana foi obrigada a fazer um pedido de desculpas transmitido pela televisão estatal por ter quebrado normas morais. Autoridades do país proibiram sua conta no Instagram. Ela havia postado vídeos em que aparecia dançando.
Essa situação inspirou o protesto viral #dancingisnotacrime, com iranianos dançando em toda parte, de todas as maneiras que conseguiam e postando seus vídeos – apesar da ilegalidade de dançar em espaços públicos (veja: TÁCTICA: Desobediência cultural) (veja: PRINCÍPIO: Se protestar for ilegal, faça da vida diária um protesto).
Às vezes, diante da opressão, basta ter a audácia de ser alegre — e que força poderosa isso pode ter!
Em muitos regimes autoritários, existem formas de diversão que são restritas ou proibidas. Os opressores sabem que a alegria pode ser uma força perigosa! Qualquer coisa que favoreça a diversão pode ser difícil de controlar e ameaça derrubar estruturas rígidas de poder. Portanto, embora a raiva possa ser mais frequente do que a alegria diante de injustiças, abusos de poder, caos climático e super-ricos gastando cinicamente milhões de dólares para passear no espaço, a alegria e o riso costumam ser a resposta mais poderosa (veja: TEORIA: Hamoq and hamas).
Em nossos esforços contra a injustiça, podemos acabar consumidos pela seriedade de tudo, evitando as coisas que nos trazem felicidade. No entanto, quando nos unimos em torno de significantes alegres, aproveitando brechas para celebrar, nos abrimos para novos modos de ser e fazer. Por milênios, carnavais e outras festas viraram do avesso relações de poder para prefigurar outros modos de ser. Atualmente, paradas do orgulho LGBTQI+ mundo afora celebram a cultura e a bandeira do arco-íris, que passou a simbolizar alegria e poder.
A alegria é uma afirmação da vida e um marcador da nossa humanidade. Negá-la nos desumaniza. Ao longo de séculos, pessoas enfrentando opressões usaram música, dança, humor, arte e comida para experimentar a alegria em meio às circunstâncias mais extenuantes. Antes da eclosão da Guerra Civil nos Estados Unidos, as pessoas escravizadas nas plantações mantinham, reaproveitavam ou criavam formas de celebração e recreação — o que D. Wiggins chamou de “momentos de folia não vigiada” — que ajudaram gerações a suportar e resistir à desumanizadora instituição da escravidão. Hoje, o conceito de Black joy é uma prática multidimensional de expressão, libertação, resistência e humanidade. O Black Joy Project, de Kleaver Cruz, é uma das muitas iniciativas que reconhecem a necessidade de combater as narrativas dominantes de sofrimento, trauma e fadiga.
Um dos principais desafios do ativismo é que nossas lutas podem ser longas, lentas e dolorosas. O esgotamento é um risco sério – e cuidar de si e dos outros deve ser mais do que apenas uma reflexão tardia (veja: PRINCÍPIO: Brilhe, mas não se queime). E a alegria não precisa ser um ato de resistência. Pesquisas mostram que pequenas explosões de emoção positiva podem ser suficientes para ajudar a redefinir nossas respostas ao estresse. Momentos de libertação — como a celebração de vitórias, por menores que sejam! — podem nutrir e revitalizar o corpo e a mente.
Enfrentando acusações de sabotar a segurança nacional, a líder da oposição bielorrussa Maria Kolesnikova dançou no tribunal no começo de seu julgamento. Às vezes, diante da opressão, basta ter a audácia de ser alegre — e que força poderosa isso pode ter!
Exemplos do mundo real

Two communities in Mexico and the U.S., long separated by a border wall, came together to play on three oversized teeter-totters spanning the border.

Maedeh Hojabri found herself confessing to moral crimes after authorities clamped down on her Instagram account. Her story inspired a viral protest.