Em resumo
O capitalismo é um sistema econômico que visa o lucro e é ancorado na desigualdade, exploração, desapropriação e destruição do meio ambiente.
Origens
A transição para o capitalismo ocorreu no noroeste da Europa entre os séculos XVI e XIX e se expandiu para o resto do mundo por meio do colonialismo e do imperialismo.
A causa da crise econômica que começou em 2008 não foi a regulamentação inadequada do livre mercado. Ela é muito mais profunda. A recessão global que estamos vivendo é a manifestação previsível de um sistema econômico propenso a crises, enraizado na noção de produção para o lucro e não para a necessidade humana. Esse sistema econômico é chamado de capitalismo e, em prol do desenvolvimento humano e da saúde ecológica, ele precisa ser derrubado. Para isso, entretanto, primeiramente ele deve ser entendido.
O capitalismo é um sistema econômico no qual quase tudo o que precisamos ou queremos deve ser comprado no mercado. Nesse sistema, a maioria das pessoas não tem nada para vender a não ser o trabalho. O capitalismo não é uma coisa, mas uma relação social entre capital e trabalho que divide a humanidade em duas classes sociais principais: a classe capitalista, ou burguesia – detentora dos meios de produção (ferramentas, recursos, terra) – e a classe trabalhadora, ou proletariado – sem acesso aos meios de produção, portanto, tendo que vender sua própria força ou capacidade de trabalho.
Em prol do desenvolvimento humano e da saúde ecológica, esse sistema precisa ser derrubado.
As leis de concorrência e maximização do lucro regem o mercado capitalista. Cada empresa existe ao lado de muitas outras que produzem produtos ou serviços semelhantes. Cada uma precisa superar as demais, minimizando custos e maximizando o lucro, ou irão à falência. A inovação tecnológica é uma forma de cortar custos, obrigar funcionários a trabalhar mais por menos é outra.
O ímpeto de expansão capitalista impulsiona o crescimento econômico. Contudo, em dado momento a produção excede a demanda e muitas fábricas e usinas produzem a mesma coisa para que todas as empresas sejam lucrativas. Essa é a crise recorrente de superacumulação e lucratividade na qual ingressa o capitalismo. Enquanto os lucros durante a fase expansiva são privatizados nos bolsos dos proprietários, os custos da crise são socializados em medidas de austeridade, desemprego e pobreza (veja: TEORIA: Neoliberalismo).
Os capitalistas são indiferentes às mercadorias que produzem, desde que a necessidade de gerar lucro seja satisfeita (ver: TEORIA: Fetichismo da mercadoria. Energia solar ou petróleo de areias betuminosas, bombas de fragmentação ou medicamentos contra a malária: não importa o que é produzido ou a que serve, desde que seja rentável. Nesse sentido, o capitalismo significa produção para troca (lucro) em vez de produção para uso (necessidade humana e sustentabilidade ecológica). A perversidade moral dessa dinâmica se desenrola diariamente em uma economia que produz carros de luxo e ração gourmet para poucos, ao mesmo tempo em que permite a reprodução de níveis quase impensáveis de fome e pobreza global (veja: TEORIA: Pobreza, com mais de 1 bilhão de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia, e outro bilhão e meio com menos de dois dólares.
Em suma, o capitalismo significa desperdício, pobreza, degradação ecológica, expropriação, desigualdade, exploração, imperialismo, guerra e violência. Precisamos construir movimentos de massa para substituí-lo por um sistema econômico baseado na produção para as necessidades humanas e na sustentabilidade ecológica, com planejamento participativo e democrático, autogestão operária e comunitária e solidariedade internacional.
Originalmente publicado em Beautiful Trouble.
Exemplos do mundo real

After decades of exploitation and pay inequity in a highly capitalist system, teachers organize a campaign against greedy private schools in Jordan.