História

Conflict Kitchen

A versão norte-coreana da Conflict Kitchen, com placas dizendo “Take-away norte-coreano” e “Conflict Kitchen: Aberta”. Foto: Conflict Kitchen

Em resumo

Adaptando habilmente uma janela para retirada de comida para viagem, a ação Conflict Kitchen proporcionou uma compreensão intercultural, apresentando aos moradores de Pittsburgh a comida e a cultura de lugares com os quais o governo dos EUA estava em conflito.

Com a crença de que o caminho mais rápido para o coração de uma pessoa é pelo estômago, a Conflict Kitchen buscou promover a paz e construir uma compreensão intercultural, apresentando ao público a comida e a cultura de lugares com os quais o governo estadunidense estava em conflito. Com sede em Pittsburgh (EUA) e concebida pelos artistas-ativistas Jon Rubin e Dawn Weleski, a Conflict Kitchen usou uma janela de retirada de comida para viagem, emoldurada por uma fachada colorida, para oferecer a culinária e celebrar a cultura de países como Irã, Afeganistão, Cuba, Coreia do Norte, Venezuela e Palestina e da Confederação Haudenosaunee.

A Conflict Kitchen tornou tangível a possibilidade de um mundo onde escutamos uns aos outros e tiramos nossas próprias conclusões.

O espaço funcionou como uma plataforma para o diálogo público, e a fila da comida tornou-se um lugar para os habitantes de Pittsburgh se envolverem com pessoas e lugares que a mídia distorce e deturpa a todo momento. O balcão de retirada contava com chefs e artistas treinados para facilitar as conversas sobre os países em destaque. Cada embalagem foi impressa com perfis de habitantes dos países celebrados e textos sobre comida, arte, religião, cultura e governos dessas nações.

Para estender a experiência além da entrega de comida e encorajar ainda mais o diálogo intercultural, a Conflict Kitchen também organizou eventos públicos centrados nas refeições. Moradores de Pittsburgh e iranianos em Teerã compartilharam um jantar, transmitido online entre as cidades, no qual os dois grupos fizeram as mesmas receitas persas e depois se sentaram para comer simultaneamente. Outros eventos incluíram discussões informais sobre comida e política na hora do almoço, jantares com palestrantes e aulas de culinária ao vivo pelo Skype.

Embora a Conflict Kitchen tenha operado com sucesso por vários anos, a tentativa de celebrar a culinária palestina resultou em ameaças de morte que forçaram a interrupção do projeto por quase uma semana em novembro de 2014. Em resposta às ameaças e alegações de serem anti-Israel, os diretores da Conflict Kitchen enfatizaram que seu objetivo é ser um alto-falante para as vozes e experiências históricas de pessoas de todo o mundo – palestinos e palestinos-estadunidenses incluídos. A reação provou a necessidade desse tipo de atuação.

A Conflict Kitchen usou a comida como veículo para a compreensão intercultural e forneceu um local para o debate político entre os cidadãos de Pittsburgh – além de deliciosos pratos para viagem.

Teoria chave

Prefiguração

As refeições com transmissão online entre Pittsburgh e o exterior forneceram um vislumbre do que pode significar compartilhar culturas, política e, claro, comida. Ao criar uma zona de diálogo aberto e compreensão intercultural – pelo menos, ao longo de uma refeição –, a Conflict Kitchen tornou tangível a possibilidade de um mundo onde escutamos uns aos outros e tiramos nossas próprias conclusões.

Tática chave

Panfletagem Avançada

A Conflict Kitchen criou uma forma inteligente e surpreendente de espalhar informação: embalagens de alimentos! Estampados com entrevistas de pessoas dos países celebrados, os invólucros transmitiram perspectivas genuínas e contaram histórias enquanto o público se alimentava.

Princípio chave

Crie vários pontos de entrada

Somos diferentes uns dos outros. Algumas pessoas são tímidas, outras ousadas. Algumas aprendem visualmente, outras respondem melhor às histórias. Algumas já estão na sua lista de convidados, outras apenas tropeçam no seu projeto. Portanto, cabe a nós fornecer várias maneiras de as pessoas se envolverem com as mensagens e, de modo geral, devemos ser o mais acessíveis possível. A Conflict Kitchen oferecia muitos pontos de entrada: conversas na janela de retirada da comida, uma vitrine visualmente atraente aos transeuntes, refeições embrulhadas com entrevistas impressas e um espaço para conversar e compartilhar comida durante eventos públicos. Em resumo, quanto mais pontos de entrada, mais oportunidades para mudar mentes e abrir corações. Às vezes, pode ser simples assim.