Em resumo
O sucesso vem da incorporação dos pontos fortes tanto dos protestos em massa quanto da mobilização organizada em estruturas — de modo que as explosões de revolta generalizada complementem a mobilização de longo prazo.
Você não organiza movimentos; você constrói organizações, e se movimentos emergem, você pode pegar a energia deles e crescer. O Occupy Wall Street avançou mais em três meses do que muitos de nós em três décadas.
— Danny Cantor, fundador do Working Families Party (Partido das Famílias Trabalhadoras)
Ao longo do tempo, surgiu um abismo entre duas abordagens diferentes para a criação de mudanças sociais.
Os organizadores do movimento trabalhista e das organizações comunitárias normalmente se concentram no recrutamento pessoa a pessoa, no desenvolvimento cuidadoso da liderança e na criação de órgãos institucionais estáveis que podem alavancar o poder de seus membros ao longo do tempo. Enquanto tradição de mobilização, esta abordagem pode ser descrita como uma baseada em estrutura.
O desafio aqui é como combinar revoltas explosivas de curto prazo com organização a longo prazo para tornar os movimentos mais sustentáveis.
Em contraste, revoltas de bases amplas, como aquelas que abalaram o mundo em 2011, foram marcadas por uma desobediência desordenada e generalizada, realizada fora dos limites de qualquer organização formal. Essa abordagem enfatiza o poder disruptivo das mobilizações de massa que se aglutinam rapidamente, atraem participantes que não estavam previamente envolvidos na organização e deixam as elites estabelecidas lutando para se ajustar a um novo cenário político. Essa tradição pode ser apelidada de protesto em massa.
A divisão entre estrutura e protesto em massa, ou entre mobilização a longo prazo e revoltas disruptivas é constante na história dos movimentos sociais. Não é que uma dessas abordagens seja certa e a outra errada; ambas têm seus pontos fortes e fracos. O truque para os mobilizadores é descobrir como seus pontos fortes podem ser usados em conjunto — para que a mobilização a longo prazo e explosões de revolta generalizada se complementem mutuamente.
Infelizmente, muitas vezes há desconfiança em ambas as direções que devem primeiro ser superadas. Os defensores do protesto em massa são cautelosos com as políticas transacionais de mobilização organizada em estruturas e os acordos táticos com detentores de poder que tais políticas tendem a promover. Eles se perguntam como até mesmo uma longa sequência de vitórias incrementais se somará a qualquer mudança significativa nas regras do jogo. Em sua vez, os mobilizadores organizados em estruturas são normalmente cautelosos com as mobilizações de movimentos porque o poder disruptivo é difícil de entender e ainda mais difícil de dirigir. As explosões de rebeldia em massa podem ser intencionalmente desencadeadas e ampliadas? Se sim, como, exatamente?
Felizmente, o mundo do pensamento sobre movimentos sociais está agora experimentando um renascimento nesta temática, com tradições de não-violência estratégica fornecendo percepções práticas e críticas sobre como orquestrar protestos disruptivos. Não se trata apenas de condições maduras ou não maduras, sobre as quais os mobilizadores têm pouco controle, mas sobre as habilidades que os mobilizadores podem trazer para ajudar a moldar a mobilização em massa. Essas habilidades incluem a capacidade de reconhecer quando o terreno para o protesto é fértil, o talento para encenar atos criativos e provocativos de desobediência civil, a capacidade de escalada inteligente uma vez que uma mobilização está em andamento e a visão para assegurar que ciclos de curto prazo de duração contribuam para a promoção de metas de longo prazo.
Muitos novos ativistas são atraídos para a política através da energia de uma mobilização em massa, mas ficam desapontados quando esses movimentos declinam repentinamente, como inevitavelmente fazem. O desafio aqui é combinar revoltas explosivas de curto prazo com mobilização de longo prazo para tornar os movimentos mais sustentáveis. Vindos da perspectiva oposta, os mobilizadores comunitários veteranos que recentemente experimentaram o tremendo impulso que as explosões disruptivas podem gerar — mesmo que muitas deles sejam passageiras — se mostraram dispostos a repensar seu foco em organizações à custa dos movimentos.
O foco na manifestação de massa não precisa negar a importância de construir estruturas organizacionais, assim como o apreço pela estrutura não impede o apoio à mobilização generalizada em períodos de pico de atividade. Um modelo de organização que integra ambos os enfoques se pergunta: o que os mobilizadores podem fazer para maximizar o impacto do poder disruptivo a longo prazo?