Tática

Viagem Subversiva

Crianças palestinas que vivem em campos de refugiados estudam um mapa de aldeias palestinas anterior a 1948 para encontrar sua vila ancestral que fora destruída por Israel. Foto: D. 'Alwan.

Em resumo

A viagem subversiva busca desafiar e subverter restrições injustas de viagem. Pode ser usada para facilitar a liberdade de locomoção, desafiar fronteiras militarizadas, romper um cerco, levar ajuda ou atrair a atenção da mídia.

Eu fui o condutor da Underground Railroad (Estrada de Ferro Subterrânea) por oito anos, e eu posso dizer algo que a maioria dos condutores não pode; eu nunca descarrilhei meu trem e nunca perdi um passageiro.

— Harriet Tubman

A viagem subversiva busca desafiar, subverter e expor restrições injustas de viagem. Pode ser usada para facilitar a liberdade de locomoção, desafiar fronteiras militarizadas, romper um cerco ou levar ajuda. A viagem subversiva pode provocar uma resposta das autoridades e pode atrair a atenção da mídia, como no caso de [desafio a uma proibição de viagem] (Birthright Unplugged/Replugged), ou dar segurança às comunidades em situação de risco, como no caso das delegações de "escudo humano”.

Importantes antecedentes de viagem subversiva incluem a Underground Railroad (Estrada de Ferro Subterrânea), uma rede de rotas secretas e casas seguras nos Estados Unidos usadas por escravos de ascendência africana no século XIX para fugir para estados livres e para o Canadá, bem como o Kindertransport (Transporte de Crianças), uma série de esforços de resgate que trouxeram milhares de crianças judias refugiadas da Alemanha nazista para a Grã-Bretanha entre 1938 e 1940.

Ao divulgar barreiras políticas, viagens subversivas podem tornar visíveis esses tipos de restrições injustas a um público mais amplo.

De El Salvador ao Sri Lanka ou à Palestina, quando enfrentam violência extrema e repressão estatal que parecem insuperáveis, os organizadores de movimentos convidam ativistas ocidentais a unirem-se a eles em solidariedade, oferecendo alguma proteção como observadores internacionais ou escudos humanos e ajudando a criar um foco de atenção midiática global sobre o assunto. Organizações estadunidenses como a Global Exchange (Troca Global) e a Code Pink (Código Rosa) coordenaram delegações civis a Cuba, em violação ao embargo dos EUA, como forma de protestar contra o estrangulamento econômico do país latino-americano. Women On Waves (Mulheres Sobre Ondas - WOW), um navio registrado nos Países Baixos, navega para países onde os abortos são ilegais, a fim de que o corpo médico da WOW possa fornecer abortos seguros nos estágios iniciais da gravidez a bordo do navio, enquanto permanece em águas internacionais.

As estritas restrições de viagem do governo israelense tornaram-no alvo frequente de ações de viagem subversiva. O Free Gaza Movement (Movimento Gaza Livre) lançou flotilhas viajando por águas internacionais carregando apenas ajuda humanitária e especialistas em direitos humanos que tentaram quebrar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza. O movimento * Birthright Unplugged* virou o jogo em relação às viagens de "Birthright Israel", convidando todas as pessoas, não apenas os judeus, a viajarem para Israel e Palestina, enquanto o Birthright RePlugged organizou viagens para que crianças palestinas que vivem em campos de refugiados atravessassem postos de controle de fronteiras, sem documentação, para visitar as terras de seus antepassados ​​(veja: HISTÓRIA: Birthright Unplugged/Replugged). Nos casos do Free Gaza Movement e do Birthright RePlugged, esta viagem é legal segundo o direito internacional, mas negada por Israel. Nestes casos, a trajetória torna-se o destino.

Welcome to Palestine (Bem-vindo à Palestina) é mais um exemplo. Em 2011, a sociedade civil palestina convidou ativistas internacionais para visitarem a Palestina. Quando questionados pela segurança da fronteira israelense, os viajantes foram encorajados a dizer que iam para a Palestina (sabendo que lhes seria recusada a entrada). Como resultado, 130 ativistas foram proibidos de entrar, deportados, encarcerados ou coagidos a assinar documentos prometendo não participar de ações políticas. Essa ação gerou manchetes e ajudou a informar as pessoas sobre as injustiças israelenses.

Finalmente, a turnê UndocuBus levou pessoas que vivem nos Estados Unidos sem documentação para fazer uma visita aberta ao país, declarando: "ninguém é ilegal". Ao se exibirem como pessoas indocumentadas, estes ativistas corajosamente se expuseram a possíveis prisões ou deportações a fim de chamar atenção para a necessidade urgente de reforma no sistema de imigração.

Diversos atos de viagem subversiva são onipresentes na prática ativista, tanto no passado como no presente. Eles não só são uma maneira de desafiar as autoridades quando elas negam o direito fundamental à liberdade de locomoção, como também podem ajudar a imaginação revolucionária a visualizar como seria um futuro estado de liberdade.

Princípios chave

Torne visível o que está invisível

Restrições de viagem nem sempre são aparentes para aqueles que não sofrem com elas. Ao divulgar barreiras políticas, a viagem subversiva pode tornar visíveis esses tipos de restrições injustas para um público mais amplo. Muitas vezes é necessário maior visibilidade para aumentar a adesão a um tema.

Se o protesto for ilegal, faça da vida cotidiana um protesto

Quando a liberdade de circulação for restringida e o direito humano básico de viajar for ilegal, apenas exercitar o seu direito de viajar ou mesmo simplesmente anunciar sua intenção de desafiar uma restrição de viagem se torna um ato de protesto. Desta forma, a viagem se torna um ato subversivo.

Exemplos do mundo real

Europe’s Airlines Enforce Israeli Travel Ban on Activists

Organizers of the Welcome to Palestine campaign condemned European complicity in Israel’s illegal restrictions on their right to travel freely.

Jump Start the UndocuBus

Through civil disobedience, art, and organizing, the UndocuBus became a symbol of inspiration and a sign of our resistance.

Saving Migrants at Sea

Christopher Catrambone, founder of Migrant Offshore Aid Station, talks about how his organization has saved over 3,000 lives.