Em resumo
Uma forma de manter espaços, criar comunidades e interromper o funcionamento do poder. Os exemplos incluem: sit-ins (sentadas) e ocupações propriamente ditas de prédios, fábricas, moradia e espaços públicos, além de acampamentos em locais que estão ameaçados.
A primeira greve trabalhista registrada foi uma forma de ocupação: há mais de 3 mil anos, os antigos construtores de túmulos egípcios da vila desértica de Deir el-Medina ocuparam diversos templos após o fracasso do faraó Ramsés III em fornecer provisões adequadas. Desde então, outros exemplos de ocupações impulsionam a história.
Na Inglaterra do século 17, por exemplo, os Diggers formaram uma comunidade agrária utópica em terras comuns. A Comuna de Paris foi fundada em 1871 por trabalhadores, soldados e cidadãos. Nos EUA, a Grande Revolta de 1877 mobilizou trabalhadores ferroviários em greve e apoiadores que ocuparam estações em todo o país. Uma onda de ocupações de fábricas em meados da década de 1930 levou às famosas greves de Flint (EUA) em 1936, que resultaram no reconhecimento sindical para centenas de milhares de trabalhadores automotivos.
As ocupações são uma tática popular empregada pelos movimentos sociais para manter e defender um espaço. Outras táticas de ação direta também podem ser implementadas para apoiar a ocupação, como protestos, bloqueios e faixas. Em algumas circunstâncias, ocupações propriamente ditas começaram com uma tática menor, com ocupações sit-in – quando os manifestantes se sentam em um espaço estratégico.
As ocupações são uma tática popular empregada pelos movimentos sociais para manter e defender um espaço.
Embora o termo possa se referir a um opressor que invadiu ou anexou terras de uma população (“América do Norte/Ilha da Tartaruga ocupada” ou “Palestina ocupada”), a tática de ocupação é frequentemente usada por esses mesmos grupos para fazer valer seu direito àquela terra: por exemplo, a ocupação da Ilha de Alcatraz, em 1969, por indígenas de diferentes povos, ou quando a comunidade Mendota Mdewakanton Dakota, o American Indian Movement e o Earth First! realizaram uma ocupação de 16 meses para defender o Minnehaha State Park da construção de uma rodovia que profanaria terras sagradas.
A lógica de ação de muitas dessas ocupações é reivindicar o espaço a que têm direito, evidenciando um roubo maior. Essa mesma lógica de ação pode ser aplicada a estudantes que ocupam um prédio que deveria atendê-los – por exemplo, no final dos anos 1960, quando estudantes afro-americanos ocuparam prédios universitários nos EUA, levando à criação de muitos departamentos de estudos étnicos/afro-americanos, quando ambientalistas defendem terras que deveriam ser comuns, ou quando trabalhadores ocupam a fábrica em que trabalham.
Embora as ocupações possam variar em estilo e forma, elas geralmente têm dois componentes principais: 1) foco na logística de manutenção de um acampamento, comício semipermanente ou ocupação sit-in, que requer atender às necessidades de alimentação, abrigo, defesa contra batidas policiais etc – e que muitas vezes pode ser uma experiência profundamente politizadora; e 2) uma campanha de pressão pública que mira em um dilema de decisão.
A localização escolhida para uma ocupação geralmente determina seu sucesso. É importante avaliar questões como significado simbólico, capacidade de interromper concretamente a atuação de um alvo (leia: PRINCÍPIO: Não espere um resultado concreto de uma ação simbólica, capacidade logística para manter a ocupação, visibilidade pública e tecnicalidades da posse legal. Historicamente, as ocupações se prestam à espontaneidade, mas as duradouras tendem a ser bem planejadas.
Grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Via Campesina apoiam comunidades de camponeses na ocupação de terras ociosas e na recuperação delas para uso comum ou subsistência básica. Nos EUA, grupos como o Take Back the Land aplicam esse mesmo princípio às execuções hipotecárias, defendendo a moradia como um direito humano (veja: TÁTICA: Bloqueio de despejo. No movimento ambientalista, as ocupações de árvores são um exemplo de ocupações usadas para defender as florestas da exploração madeireira. Movimentos de posseiros em toda a Europa “tomaram de volta” edifícios abandonados e os reaproveitaram como casas e centros sociais visando passar despercebidos pelas autoridades até que possam reivindicar legalmente o espaço.
As ocupações ameaçam inerentemente a legitimidade de um alvo, demonstrando a incapacidade do detentor do poder de impor o status quo. Elas também servem para expor a natureza arbitrária e muitas vezes injusta dos regimes de propriedade privada (ver: TEORIA: Os bens comuns.
Originalmente publicado em Beautiful Trouble.
Princípio chave
Diferentes pontos de intervenção resultarão em diferentes tipos de ocupações. Uma ocupação de uma fábrica é uma intervenção no ponto de produção que visa interromper fisicamente (ou recomeçar) a atividade econômica. Uma ocupação da Câmara do estado de Wisconsin, por exemplo, ocorre no ponto de decisão. A Occupy Wall Street começou como uma intervenção no ponto de suposição: ocupar o Parque Zuccotti não incomodou fisicamente ninguém em Wall Street – a princípio. Até as barracas serem armadas, era só um parque perto dos bancos. Em seguida, tornou-se um ponto de encontro, um lugar a partir do qual se pôde minar os pressupostos do poder econômico irresponsável e começar a mobilização contra alvos específicos (bancos, bolsa de valores, tribunais etc) em outros pontos de intervenção.
Exemplos do mundo real

The General Assembly has been at the core of countless social movements - A zone of gathering, building community, experimenting with democracy.