Em resumo
Quando as autoridades turcas tentaram dissolver um protesto anticapitalista que reunia religiosos e seculares, manifestantes muçulmanos responderam convidando a todos para um festival público em massa para celebrar o Iftar do Ramadã.
Durante os protestos populares de 2013, motivados pela oposição ao plano de desenvolvimento urbano do Parque Gezi de Istambul, as autoridades tentaram impedir um protesto anticapitalista que incluía muçulmanos e seculares.
Era o mês sagrado do Ramadã e muitos estavam jejuando. A multidão viu a repressão das autoridades como uma tentativa de quebrar a unidade dos manifestantes. Então, os manifestantes muçulmanos praticantes, devido à quebra de seu jejum ao pôr-do-sol, convidaram a multidão para uma festa pública em massa para celebrar o Iftar.
Foi um momento inspirador, no qual se viu inúmeras pessoas chegando, cada uma com um prato simples que celebrava a convergência das lutas contra o capitalismo. O festival se estendeu da Rua Istiklal, ao lado do Parque Gezi, até a Praça Taksim. Cerca de 30 minutos após a chamada à oração (o momento em que o jejum é quebrado), a polícia ordenou que todos deixassem a Rua Istiklal. Não obstante, a firmeza pacífica da multidão forçou a polícia a se afastar.
A resistência se estendeu do Parque Gezi à Praça Taksim, depois para toda Istambul e, por fim, para o resto do país. Gezi se tornou um símbolo de solidariedade e determinação diante do capitalismo. O espírito de união foi transformador para os participantes e provou que as pessoas podem se unir independentemente de suas diferenças.