Princípio

Dê voz àqueles que não podem falar

Em Lorax, o amado livro infantil escrito por Dr. Seuss, a personagem principal que dá nome à obra "fala pelas árvores" e confronta o "Once-ler", que causa destruição ambiental.

Em resumo

As árvores não podem falar, certo? Errado! Existem muitas maneiras criativas de dar voz àqueles que não podem falar — quer sejam árvores, animais ou artefatos arqueológicos — para que as pessoas possam ouvir sobre sua condição em alto e bom som.

A cada deliberação, precisamos considerar o impacto das nossas decisões nas próximas sete gerações.

— Máxima da Confederação Iroquesa

Se fôssemos realmente seguir a exigência moral de que aqueles mais afetados por um problema devem moldar as leis e políticas relacionadas a ele, as árvores deveriam basicamente estar liderando todos os governos neste momento! Mas isso não é algo que vai acontecer tão cedo. Por isso, nossa melhor aposta é encontrar formas criativas de trazer suas vozes aos espaços de poder.

Em 2017-18, defensores de florestas em Gana usaram esse princípio e foram muito bem sucedidos em seus esforços para proteger a Floresta Atewa, um dos ecossistemas mais diversos da África Ocidental. Ao longo das principais trilhas na mata, foram colocados cartazes nas árvores como se elas estivessem falando consigo mesmas: “Eu absorvo 30 toneladas de CO2 por dia” e “seus filhos e filhas podem nunca saber que eu existi.” Ao personificar essas árvores, os ativistas transformaram elas na principal cara da campanha.

Na busca pelo lucro, o capitalismo transforma os seres vivos não humanos em invisíveis e dispensáveis.

Na busca pelo lucro, o capitalismo transforma os seres vivos não humanos em invisíveis e dispensáveis. Eles não têm nenhuma voz nas decisões que levam à sua própria aniquilação. Ao dar voz a eles, podemos criar uma mudança de paradigma em nosso antropocentrismo.

Contudo, a ação de falar por alguém ou por algo é uma ação de poder potencialmente arrogante e que, por isso, deve ser abordada com muita responsabilidade e humildade. Para transformar esse poder em oportunidade, devemos ativar nossa empatia e imaginação moral. Devemos nos "colocar no lugar" de seres não humanos e tentar formar uma compreensão íntima de quais seriam suas necessidades.

Podemos pensar de imediato nas necessidades mais básicas e aparentes, como água, luz do sol e sobrevivência. No entanto, precisamos ir mais à fundo. As árvores existem há literalmente bilhões de anos. A ciência só descobriu recentemente que as árvores se comunicam, compartilham recursos e avisam umas às outras de perigos próximos. Ao falarmos por elas, o que devemos fazer para respeitar o caráter cósmico único, a inteligência e as emoções que elas têm, e que rejeitamos?

Para promover o respeito a todas as vidas, assim como aos nossos próprios tesouros culturais, precisamos dar não só voz àqueles que não podem falar por si, mas até mesmo direitos. Em 2008, o Equador consagrou os direitos da natureza em sua constituição e foi o primeiro país a fazê-lo. Outros países logo seguiram o exemplo. Em 2012, a Nova Zelândia concedeu o status jurídico de pessoa ao (Rio Whanganui)[https://solutions.thischangeseverything.org/module/the-river-with-the-rights-of-a-person), e em 2019, os eleitores em Toledo, Ohio concederam "direitos irrevogáveis" ao Lago Erie. Agora, esses corpos aquáticos importantíssimos têm direitos jurídicos reais nos foros humanos.

As sociedades indígenas consideram o mundo natural como uma fonte sagrada de sabedoria. Há muito tempo, eles compreenderam que nós, humanos, somos apenas um fio na grande e interconectada teia da vida. Nós, modernos, precisamos nos livrar de nossos egos, reaprender a reverenciar nossos companheiros vivos e trazer suas vozes (e direitos) aos espaços de poder. Não fazer isso não significa apenas a morte deles, mas também a nossa própria, eventualmente.

Exemplos do mundo real

Material Speculation: ISIS (2015-2016)

Artist Morehshin Allahyari documented thousand-year-old artifacts destroyed by ISIS and re-made them via a 3D-printer.

Archives: WTO Protests in Seattle

In 1999 at the Battle of Seattle, a phalanx of 300 turtles blocked the WTO meeting demanding environmental protection.

Petition “Signed” by 300 Species

In 2002, Canadian citizens presented a petition at the G8 Alberta meeting, signed by 300 species of trees and animals (with paw-print signatures).

Activists Protest Corporate Complicity Wearing Golden Toad Masks

In 2012, US activists invaded banks complicit in environmental violations that worsened global warming wearing masks of the now extinct golden toad.

Saving the Whanganui

Māori along the Whanganui River speak as the river for a campaign to heal and restore it. The river is the first globally to be granted personhood.