Metodologia

Narrativa pública

Marshall Ganz, criador da metodologia da narrativa pública. Foto: flyoverthis | CC BY-SA 2.0

Em resumo

Uma prática de liderança que usa um conjunto de histórias inter-relacionadas — histórias sobre si, sobre nós e sobre o agora — para entender nossas fontes de motivação, construir a identidade da comunidade em torno de valores compartilhados e levar as pessoas à ação.

Se eu não sou por mim, quem o será? Mas se eu sou só por mim, o que sou ‘eu’? E, se não agora, quando?

— Rabino Hillel, o Ancião

Origens

Marshall Ganz, um organizador de longa data no movimento dos trabalhadores agrícolas migrantes nos EUA, e atualmente Professor Sênior na Escola de Governo John F. Kennedy em Harvard, desenvolveu a metodologia da narrativa pública na década de 1990 como parte de um sistema de organização da comunidade baseado em valores.

Uma boa história tem o poder de mudar o mundo. A metodologia da narrativa pública treina mobilizadores, ativistas e líderes comunitários para compartilhar suas histórias pessoais de forma mais eficaz, a fim de construir um senso de comunidade em torno de valores e experiências compartilhados e, em última instância, mover um grande número de pessoas para a ação em torno de um problema ou causa.

A narrativa pública é o porquê da organização — a arte de traduzir valores em ações através de histórias.

A narrativa pública é útil quando você está formando uma nova equipe ou expandindo um grupo para reuni-lo em torno de valores e escolhas. Também é usada quando você está preparando sua comunidade ou equipe para lidar com um desafio, seja interno ou externo à organização. O uso mais óbvio da narrativa é mover as pessoas para a ação; o uso menos óbvio é decidir a estratégia. Muitas vezes, escondida nas histórias das pessoas sobre as escolhas que eles fizeram e o que as convoca à liderança, está a resposta para o que nossa estratégia deveria ser [] (Análise narrativa de poder). A narrativa pública também é usada para despertar as pessoas para a injustiça e para sua própria atuação para enfrentá-la, especialmente dentro de comunidades ou grupos que são oprimidos há séculos.

A narrativa pública é composta por três histórias entrelaçadas, que, uma vez aprimoradas, devem ser passíveis de se contar em de menos de cinco minutos:

  • A primeira é * a história de si:* eu conto minha história pessoal para que você entenda o que me convoca para a liderança nesta causa. Quais os desafios que enfrentei e quais escolhas eu fiz que mostram por que me movo para liderar nesta causa? Na minha história, descrevo os resultados das minhas escolhas e esclareço o que me dá esperança.

  • A segunda é a história de nós: busco aprender as histórias de membros da minha comunidade e entrelaço-as em torno dos valores que compartilhamos. Esta história descreve quem somos nós, quais são nossos desafios compartilhados e alguns marcos na jornada que percorremos até agora.

  • A terceira é a história de agora: qual o preço da inação? Compartilho imagens retratando as consequências da inação e outras imagens mostrando o que nossa ação pode alcançar. Depois de criar uma sensação de urgência e esperança, eu findo minha narrativa com um chamado específico e factível para a ação.

A narrativa pública é uma prática de liderança; é o porquê da organização — a arte de traduzir valores em ações através de histórias.

Como usar

Uma sessão de habilidades que treina líderes na narrativa pública geralmente prosseguirá em três etapas: (1) mostrar exemplos de boas narrativas, (2) explicar os elementos de cada uma das três histórias — de si, de nós e do agora – e (3) fazer com que os participantes desenvolvam suas próprias narrativas e avaliem as histórias uns dos outros.

Para um grande grupo, uma sessão de um dia inteiro seria apropriada; para um grupo pequeno e um bom mediador, basta uma sessão de poucas horas de duração.

Para uma introdução mais aprofundada à narrativa pública e como usá-la na prática, confira o texto fundamental de Marshall Ganz, Public Narrative, Collective Action, and Power. Em particular, este exercício prático ajudará a orientá-lo ao longo do processo.

Exemplos do mundo real

James Croft’s 2012 Speech on Homophobia and Bullying

James Croft uses a public narrative framework while speaking on LGBTQ bullying and suicide at a protest in Cambridge, Massachusetts.

President Obama’s Speech at the 2004 Democratic National Convention

President Barack Obama uses the public narrative “self-us-now” story structure at the 2004 Democratic National Convention.

Nisreen Haj Ahmad on Boycott, Divestment, Sanctions in Israel

Nisreen Haj Ahmad shares her public narrative (story of self, us, and now) to explain what moves her to be part of the BDS movement.

Maisan Hamdam on Refusing to Serve in the Israeli Army

Maisan Hamdan explains why she joined the “Refuse, Your People will Protect You” campaign and calls on others to join as well.

Saber mais

Public Narrative, Collective Action, and Power
Marshall Ganz, in *Accountability Through Public Opinion: From Inertia to Public Action*, 2011