Tática

Lamentação

Em 7 de setembro de 2018, as mulheres do nordeste do Camarões se reuniram no estádio de Bamenda para lamentar os assassinatos incessantes em sua região e os efeitos da guerra sobre elas e suas famílias.

Em resumo

Luto público como protesto.

A política do nosso tempo é a ‘política dos corações partidos.’

— Parker Palmer

A lamentação é a prática ancestral de choro ou lamento público. Especialmente no Sul Global, ela tem mantido seu poder atemporal de nomear a violência.

O luto não precisa se render à desesperança e ao desespero. Também pode ser uma ação proativa contra a injustiça, especialmente as injustiças extremas que afetam um amplo segmento de uma comunidade.

A lamentação é mais frequentemente usada como resposta a uma grave injustiça, como assassinatos, guerras ou outras formas de violência extrema. Ela ganha publicidade e evoca empatia. Os lamentos das pessoas vulneráveis são ouvidos por aqueles que sentem a luta cotidiana de viver sob violência ou outras formas de injustiça. Essa tática é frequentemente usada com mais eficácia pelas mulheres.

O luto não precisa se render à desesperança e ao desespero. Também pode ser uma ação proativa contra a injustiça.

Quando as mulheres sofrem em público e exigem que seus gritos sejam respondidos com ação, elas o fazem com inegável autoridade moral e poder emocional.

Em agosto e setembro de 2018, as mulheres da porção anglófona de Camarões se reuniram nas cidades de Buea e Bamenda para se sentarem juntas em lamento pela guerra civil que saqueava suas terras e causava ferimentos e assassinatos de milhares de pessoas. Essas intervenções reduziram o escopo dos ataques. Em maio de 2019, as lamentações foram novamente conduzidas nessas duas cidades, confrontando o primeiro-ministro, que concedeu à demanda das lamentadoras por negociações de paz.

Em muitas sociedades africanas, as mulheres realizam ações públicas apenas como último recurso. Quando o fazem, aquilo é reconhecido como uma medida extrema e espera-se que todo o público, inclusive os homens, faça algo para restaurar a paz ou combater a injustiça em questão. Ignorar essa responsabilidade pode ser entendido como negligência deliberada para com as pessoas que estão vivendo uma crise.

A lamentação tem sido usada em toda a África com resultados de longo alcance. Em 2007, o povo indígena Yatui do Monte Elgon proferiu dolorosamente a frase “Nossos filhos estão morrendo” do topo de sua montanha por oito horas consecutivas. Constrangido a agir, o governo de Uganda designou terras para a realocação temporária da comunidade e prometeu a ela um assentamento permanente, já que elas haviam sido deslocadas quando suas terras foram incluídas em um novo parque nacional.

A tática da lamentação não se limita a uma erupção pontual de emoção; ela também pode ser aplicada de maneira mais contínua e regular. Na Argentina, as Mães da Praça de Maio, cujos entes queridos desapareceram durante a ditadura de Videla, realizam vigílias semanais toda quinta-feira desde 1977, tornando-se uma potência na sociedade argentina e ajudando a derrubar uma ditadura e expor violações dos direitos humanos.

A lamentação é usada em tempos de extrema violência ou injustiça, particularmente quando vidas inocentes e vulneráveis são perdidas ou afetadas. Ela oferece um espaço para o luto e, ao mesmo tempo, impele a comunidade a agir contra injustiças persistentes.

Teoria chave

Princípio chave

Exemplos do mundo real

40 Years Later, the Mothers of Argentina’s ‘Disappeared’ Refuse to Be Silent

The Mothers of Plaza de Mayo continue their weekly tradition of public mourning in protest of their sons.

Saber mais

Injustice at Mount Elgon
Shua Wilmot, Solidarity Uganda, 2018