Teoria

Gerontocracia

O Presidente Museveni, de Uganda, quem recentemente modificou a constituição para permitir que ele continuasse no poder depois dos 75 anos, tira uma selfie em uma conferência de jovens com um grupo de pessoas que aparentam ter mais de 35 anos, que é a idade limite da União Africana para "juventude".

Em resumo

A gerontocracia é o domínio das pessoas velhas sobre as novas – uma forma de opressão que acontece sobretudo em uma sociedade ou cultura, mas que às vezes também pode ocorrer especificamente dentro de governos ou outras estruturas institucionais.

Os homens mais velhos dominam e os mais novos se submetem.

— Platão

Não confie em ninguém com mais de 30 anos".

— Jack Weinberg

Origens

Grécia (Esparta), China, África, Império Romano, etc.

A gerontocracia é o domínio das pessoas mais velhas sobre as mais novas. Ao passo que a experiência e (às vezes) a sabedoria que vêm com a idade podem ser importantes para uma boa liderança, quando o domínio por parte das pessoas mais velhas se transforma em algo enraizado, radical ou inalcançável, isso se torna opressor e antiético à democracia.

A gerontocracia não surge em um único lugar. A Esparta antiga foi governada por uma "Gerúsia", um conselho de homens acima dos 60 que o compunham até a morte. Os estados comunistas do bloco do leste e extremo leste foram organizados com disposições parecidas. Várias tribos pelo mundo – tais como a tribo Samburu, no Quênia, e diversos grupos na Iorubalândia – colocam o poder nas mãos dos homens anciãos.

A palavra "senado" deriva da palavra latina "senex" que significa "homem velho". E, no senado estadunidense, as gerações mais velhas ocupam um número desproporcional de cadeiras – sendo um dos exemplos mais radicais um senador pela Carolina do Sul, (Sr.!) Strom Thurmond, que ocupou uma cadeira por quase meio século e a deixou aos 100 anos.

Quando o domínio por parte das pessoas mais velhas se transforma em algo enraizado, radical ou inalcançável, isso se torna opressor e antiético à democracia.

De forma semelhante, na África de hoje muitos ditadores acima dos 70 anos estão no poder por décadas. Robert Mugabe, um exemplo famoso, foi forçado a renunciar no Zimbábue aos 93 anos, depois de 37 anos no poder.

E em muitos países africanos, o poder centralizado no chefe de Estado é reforçado pela gerontocracia em comunidades locais, onde os líderes de clãs e etnias podem ser facilmente subornados, manipulados ou coagidos por aqueles no poder para que aliciem (ou coajam) votos para políticos. Mesmo dentro das organizações da sociedade civil que presumidamente deveriam ser um contrapeso progressista aos sistemas gerontocráticos, aqueles responsáveis por controlar os fundos de doadores são quase sempre homens velhos.

A gerontocracia não está enraizada só nos governos, mas também na cultura. "Obedeça os mais velhos" é um mantra universal. Ainda assim, onde quer que políticos e executivos velhos atrapalhem o caminho, as estratégias para gerar mudanças devem possibilitar as pessoas mais jovens a tomar o poder.

Esse foi o caso de Burkina Faso durante os levantes da juventude em 2014, quando os jovens burquinenses marcharam até o parlamento e soltaram a faísca da mudança de regime. No dia seguinte estavam nas ruas, limpando a desordem que fizeram e reconstruindo a sociedade.

De acordo com os dados mais recentes, a população de 13 países – todos eles africanos – tem idade média abaixo dos 18 anos. Isso significa que a maioria dessas populações não tem direito ao voto. A Nigéria tem a população mais jovem do mundo, com uma idade média de 14,8. O presidente nigeriano Mahamadou Issoufou – nascido em 1951 – está liderando gerações que ele não é capaz de compreender. Reduzir a idade permitida de voto para 16 anos seria um passo progressista para colocar o poder nas mãos da juventude.

Os movimentos também devem olhar internamente para suas próprias demografias. A juventude está empoderada para tomar decisões? As pessoas experientes em mobilização estão investindo tempo para orientar as recém-chegadas? Tais considerações podem aumentar a força de qualquer movimento.

Em todo lugar, não só na África, os líderes velhos e consolidados falham em tomar decisões para proteger as gerações futuras – mais notoriamente dos efeitos catastróficos da mudança climática. O futuro está em risco, e considerando que será a juventude que terá que viver nele, é ela que está mais motivada para resolver os problemas que os adultos têm negligenciado.

Exemplos do mundo real

The Le Balai Citoyen (“The Citizen's Broom” or “the Civic Broom”)

A youth-led civic movement in Burkina Faso was key to the 2014 overthrow of dictator Blaise Compaoré, who had been in power for 27 years.

Fridays for Future

Over 1.6 million students went on strike from school, demanding immediate climate action from leaders.

About 41% of the global population are under 24. And they’re angry…

Youth are rising up from Chile to Hong Kong. Elders must appreciate them.

‘OK Boomer’ Marks the End of Friendly Generational Relations

Gen Z lashes out against outdated politicians holding them hosting.