Princípio

Mantenha uma disciplina não violenta

Ao manter uma disciplina de não violência diante de cães policiais, um manifestante dos direitos civis em Birmingham, Alabama, colocou seu opressor em um dilema de decisão, em 3 de maio de 1963. Foto de Bill Hudson

Em resumo

Uma vez após a outra, massas de pessoas desarmadas derrotaram forças armadas até os dentes com técnicas humildes como greves, ocupações, boicotes e protestos sentados. Mas só porque as pessoas permaneceram não violentas.

É incrível pensar que multidões de pessoas desarmadas são capazes de derrotar forças armadas até os dentes usando técnicas humildes como greves, ocupações, boicotes e protestos. Uma forma de entender como isso pode acontecer é que os métodos não violentos colocam o opressor em um dilema de decisão: provocar dor em um bando de resistentes desarmados ou capitular? A primeira alternativa pode entregar o apoio da opinião pública para os manifestantes e minar a legitimidade sobre a qual repousa o poder opressor. Se a resistência persistir, uma repressão mais intensa pode sair pela culatra, a ponto de a polícia ou os militares se recusarem a participar. O soberano acaba não tendo outra escolha senão capitular.

Essa lógica básica se desgasta, no entanto, assim que os resistentes começam a responder à violência com violência. Se o oponente consegue retratar os resistentes como uma ameaça à paz e à ordem, ele escapa do dilema de decisão, reafirmando sua legitimidade ao desempenhar o papel de protetor, garantidor e estabilizador. A menos que você consiga armas suficientes para se igualar ao poder de fogo das forças de segurança, seu movimento está perdido.

Métodos não violentos colocam o opressor em um dilema de decisão: provocar dor em um bando de resistentes desarmados ou capitular?

A cientista política Erica Chenoweth e o sociólogo Kurt Schock examinaram dados de movimentos de resistência e descobriram que ter um flanco armado reduz drasticamente a capacidade de um levante atrair uma participação generalizada. A maioria das pessoas não está interessada em se tornar mártir em um tiroteio – se isso parece provável, elas ficam em casa. Em vez de meramente representar uma ala de uma “diversidade de táticas”, portanto, a violência indisciplinada em um movimento tende a diminuir a efetividade dos movimentos maciços não violentos (ver: TEORIA: Não violência estratégica. É por isso que os opressores adoram infiltrar provocadores em movimentos de resistência para torná-los violentos e depois desacreditá-los.

Muitas pessoas mantêm a disciplina não violenta principalmente por razões estratégicas: fazem isso porque é efetivo, e não por uma questão de princípio. Na prática, porém, manter a disciplina não violenta diante de provocações pode ser difícil se você não a considerar, pelo menos em parte, como fim em si mesma. Felizmente, quase todo mundo aspira construir uma sociedade o menos violenta possível. Na medida em que construímos nossos movimentos como modelos do mundo que gostaríamos de ver, a disciplina não violenta deveria vir naturalmente.

A prática de manter a disciplina não violenta nunca deve ser confundida com passividade ou aquiescência diante de injustiças.

Originalmente publicado em Beautiful Trouble.

Exemplos do mundo real

Nashville Lunch Counter Sit-ins

Before the US civil rights era sit-ins, activists were trained to remain nonviolent even when faced with intimidation, humiliation, and violence.