Em resumo
Em 2014, ativistas birmaneses lançaram o Panzagar (“discurso da flor”), campanha para combater o discurso de ódio em Myanmar em resposta à crescente violência antimulçumana.
Em 2014, a campanha Panzagar ("discurso da flor") foi lançada para combater o discurso de ódio em Myanmar em resposta à crescente violência antimulçumana. A Al Jazeera relatou 250 pessoas mortas devido à violência e mais de 140.000 deslocadas e vivendo em campos. As vítimas eram predominantemente da minoria mulçumana Rohingya, apesar de algumas casas, comércios e mosteiros budistas também terem sido queimados em ataques de vingança. As flores, imagem-chave da campanha, simbolizam a paz em Myanmar.

As flores, imagem chave da campanha, simbolizam a paz em Myanmar.
Embora grupos como mulheres e as comunidades lésbicas, gays, bissexuais e transgêneras também tenham sofrido ataques online, a maior parte da onda recente de discurso de ódio tem mirado a comunidade muçulmana de Myanmar. De acordo com um relatório do Myanmar Centre for Responsible Business (Centro de Responsabilidade Empresarial de Myanmar), quase 90% de todo o discurso de ódio na internet tinha como alvo a comunidade muçulmana.
A campanha Panzagar foi iniciada por Nay Phone Latt, uma liderança jovem, blogueiro e membro do Parlamento regional, que em 2008 havia sido sentenciado a mais de 20 anos na prisão por postar em seu blog sobre a Revolução Açafrão, mas que foi libertado em 2012. A campanha busca promover o uso responsável das mídias sociais e conscientizar sobre as sérias consequências do comportamento online. Ela tem parcerias com jovens designers lovais e com o Facebook para criar um conjunto de “adesivos digitais” positivos que os usuários podem compartilhar na rede social em resposta a discursos de ódio com os quais venham a se deparar.
Esses adesivos retratam, em estilo animê, uma jovem mulher com uma flor em sua boca, usando motivos budistas para simbolizar um comprometimento de não utilizar ou tolerar discursos que podem disseminar ódio entre as pessoas. Em questão de dias, milhares de pessoas haviam curtido a página de Facebook da Panzagar e muitas, incluindo figuras públicas, postaram fotografias de si próprias com flores em suas bocas. Isso é um ato corajoso em um país em que o sentimento anti-islâmico está crescendo e onde aconteceram confrontos fatais – mais recentemente em julho de 2014 em Mandalay, depois de um boato falso de que uma mulher budista havia sido estuprada por homens muçulmanas emergiu nas redes e viralizou no Facebook.
Em setembro de 2015, o regulamento das comunidades de Facebook foi traduzido para o birmanês pela primeira vez. Esses regulamentos alcançam os usuários principalmente por meio de postagens patrocinadas que, o Facebook espera, irão levar os usuários a pensar duas vezes antes de compartilhar conteúdo que pode ser inflamatório contra grupos marginalizados.
A campanha também foi além das redes sociais e adentrou comunidades rurais. A equipe criou o projeto “Panzagar Viajante”, indo em diferentes estados e regiões para falar sobre a campanha e a importância de se combater o discurso de ódio com o “discurso da flor.”
Teoria chave
Colocar uma flor (tradicional símbolo de paz) em sua boca tinha um efeito poderoso – não apenas era visualmente belo e evocativo da mensagem, como também interferia fisicamente com o proferimento do discurso de ódio.
Princípio chave
Segurar uma flor tradicional com sua boca para simbolizar o princípio fundamental budista de conduta ética tornou a mensagem familiar, acessível e convincente para seu público-alvo, assim como para outras culturas.