Princípio

Leve o problema para casa das pessoas

Veterano da Guerra do Vietnã, Michael Lindley coloca cruzes em “Arlington West”, um projeto dos Veteranos pela Paz na praia de Santa Mônica, na Califórnia. Há 14 anos, aos domingos, Lindley coloca cruzes nesse local. Foto: Lorie Shaull.

Em resumo

Com recursos visuais criativos, narrativas individuais potentes e mostrando os custos para a comunidade, podemos tornar uma questão anteriormente abstrata e distante, em algo pessoal, visceral e relevante.

As pessoas se importam com a destruição de uma floresta distante e a carnificina da guerra a milhares de quilômetros de onde vivemos, mas geralmente não o suficiente para se mobilizarem – pelo menos até entenderem de forma visceral o que está em jogo. Aqui estão algumas formas de “trazer o problema para casa”:

Mostre o custo humano

Quando as consequências locais de políticas globais são evidenciadas, o círculo de preocupação das pessoas geralmente se amplia.

Quando a Guerra do Iraque estava em seu auge, a grande mídia não mostrava o fluxo de caixões envoltos em bandeiras dos EUA saindo de aviões, tampouco imagens de prédios bombardeados e iraquianos mortos. A maioria dos americanos, com exceção das famílias de militares, não sentiu visceralmente o impacto da guerra. Com o objetivo de trazer para casa o custo humano do conflito, Nancy Kricorian, ativista da organização CODEPINK em Nova York, se posicionou do lado de fora do escritório de um senador e organizou uma fileira de sapatos de todos os tamanhos identificados com nomes de civis iraquianos mortos na guerra. Além disso, pediu aos transeuntes para “caminharem em seus sapatos”. O gesto foi adotado e repetido em todo o país. Com espírito semelhante, durante a Guerra do Iraque, veteranos se reuniram aos domingos na praia de Santa Mônica, Califórnia, para montar um campo de cruzes brancas enfileiradas – uma para cada soldado morto no conflito. Foi um lembrete poderoso do custo humano da guerra, ao mesmo tempo íntimo e terrível (veja: PRINCÍPIO: Torne visível o que está invisível.

Torne a questão pessoal

A Occidental Petroleum, com sede em Los Angeles, planejava expandir suas operações na Amazônia peruana. Apelos bem fundamentados para interromper as perfurações não deram em nada, mas tudo mudou quando uma delegação do povo Achuar – que precisariam ser deslocados para acontecer a perfuração e teriam suas terras ancestrais devastadas – viajou aos EUA para contar sua história. O debate mudou: em vez de parar um projeto de petróleo, algo relativamente abstrato e impessoal, era preciso defender as casas das pessoas, o que é muito mais concreto e humano. A empresa teve que cancelar o projeto, e os Achuar estão processando a Occidental por danos ambientais já causados. Apresentar os nomes, rostos e histórias de um problema distante (veja: PRINCÍPIO: Lidere com personagens que geram empatia torna as consequências da inação muito mais reais e relevantes.

Ressalte o preço

Se as pessoas não se conectam com o custo humano de um problema, mexer no bolso é outro caminho. Em 2005, quando a histórica Biblioteca Steinbeck, em Salinas, Califórnia, foi ameaçada de fechamento devido a drásticos cortes orçamentários, trabalhadores rurais e defensores da paz uniram forças e realizaram uma leitura de 24 horas para manter a biblioteca aberta, chamando a atenção para o dinheiro gasto em guerras em vez de outras prioridades. Antes da leitura pública, pouca gente em Salinas se importava o suficiente com a guerra do Iraque para protestar. Vinte e quatro horas depois, todo mundo entendeu como o alto preço da ocupação no Oriente Médio afetava a comunidade. Quando as consequências locais de políticas globais são evidenciadas, o círculo de preocupação das pessoas geralmente se amplia.

Originalmente publicado em Beautiful Trouble.

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