Em resumo
Uma candidata do partido de oposição nas eleições de 2013 no Zimbábue apelou às mulheres que negassem sexo a seus maridos a fim de pressioná-los a votar por mudança. Os resultados foram decepcionantes.
Em 2013, Priscilla Misihairambwi-Mushonga, uma ex-ministra e membro do partido político de oposição MDC (em português, Movimento para a Mudança Democrática), apelou às mulheres para negarem sexo a seus maridos a fim de pressioná-los a votar por mudança. Especificamente, apelou às mulheres do Zimbábue que “acertassem os homens onde dói mais – o quarto”. Isso era para garantir que eles agiriam para corrigir os erros no país, votando pela mudança.
No contexto cultural do Zimbábue, ter os porta-vozes certos com as “credenciais” certas importa e pode significar a diferença entre uma campanha bem sucedida e uma fracassada.
Na época, o Zimbábue estava emergindo da estagnação da hiperinflação e cambaleando com uma desindustrialização maciça que assistiu a um aumento do desemprego e uma crise econômica sem precedentes. O sentimento geral era que os muitos problemas do país poderiam simples e imediatamente ser solucionados por meio do voto para tirar o poder do então partido dominante. A campanha “sem voto, sem sexo” inevitavelmente exerceria pressão sobre os homens do país para que “fizessem algo”: mais especificamente, que saíssem em grandes números para votar contra o partido dominante.
Anteriormente, os zimbabuanos haviam ido às urnas muitas vezes, mas o partido dominante e seu presidente, Robert Mugabe, que estava no poder desde a independência (1980), sempre deram um jeito de se agarrar ao poder. Misihairambwi-Mushonga alegou que, historicamente, a participação do eleitorado feminino no Zimbábue era maior do que o de homens e, assim, viu uma oportunidade de mobilizar homens a inclinar a balança a favor da oposição.
Sua campanha solitária não teve sucesso, já que a participação dos eleitores permaneceu baixa e os zimbabuanos se encontraram novamente com o mesmo presidente e partido dominante. Sob estas circunstâncias, incluindo acusações generalizadas de manipulação de votos e violência política, parecia duvidoso que um simples voto poderia ter derrubado o partido dominante em 2013.
Tática chave
O ato pressupôs que negar os direitos conjugais aos homens do país os estimularia a votar contra o partido dominante. Greves de sexo foram usadas em outros contextos com sucesso, incluindo Quênia, Libéria e Colômbia, mas se provaram ineficazes no Zimbábue em 2013.
Princípio chave
A greve de sexo foi a tática certa nesse caso? Havia algumas preocupações fundamentais desde o começo, por exemplo, como seria possível saber com certeza que, atrás das portas fechadas, as mulheres estavam realmente colocando o boicote em prática? No contexto da generalizada violência de gênero, a proposição de tal tática era arriscada se feita sem um movimento amplo para oferecer força e apoio.