História

Arte pública das domésticas

“Bem, querida, você ligou para o lugar certo!” Arte original por Marisa Jahn.

Em resumo

Um talk show telefônico hilário (e falso) para o qual trabalhadoras domésticas dos EUA ligaram em busca de informações sobre horas extras, questões fiscais, tráfico, entre outras.

Babás, trabalhadoras domésticas e cuidadoras de idosos há muito tempo foram excluídas de proteções trabalhistas básicas nos EUA. Felizmente, isso está começando a mudar. Em 2010, o estado de Nova York aprovou a primeira Declaração de Direitos das Trabalhadoras Domésticas, seguido pelo Havaí e pela Califórnia – e outros estados devem acompanhá-los. Após essas grandes conquistas, os ativistas reconheceram que essas vitórias seriam vãs se os trabalhadores permanecessem alheios às mudanças. Dado que as trabalhadoras domésticas costumam ter problemas de alfabetização, não ouvem rádio regularmente e muitas vezes trabalham isoladas, qual seria a melhor forma de informá-las sobre seus direitos recém-conquistados? E como explicar leis – uma monotonia sem fim – de uma forma animada e envolvente para que essas trabalhadoras possam agir?

Para ajudar a enfrentar esse desafio, a Domestic Workers United, um grupo de defesa de direitos com sede em Nova York, recorreu ao REV-, um estúdio de arte, mídia e justiça social sem fins lucrativos. Por meio de uma enquete, eles observaram que todas as trabalhadoras domésticas tinham pelo menos um celular básico. Seria possível transformar esses aparelhos em uma ferramenta de educação popular? Colaboradores do Centro de Mídia Cívica do MIT e da Terravoz foram consultades para flexibilizar suas tecnologias, enquanto advogados de grupos comunitários locais – Urban Justice Center e National Employment Law Project – garantiram que o trabalho criativo do projeto estivesse alinhado com objetivos de advocacia legal de longo prazo (veja: PRINCÍPIO: Use a lei, não tenha medo dela.

Podemos transformar o celular em uma ferramenta de educação popular?

Sob a liderança do REV-, a equipe criou uma linha direta de arte pública para trabalhadoras domésticas. Funcionou assim: mesmo com o telefone celular mais simples, as usuárias podiam ligar para (347) WORK-500 e ouvir episódios humorísticos do programa New Day New Standard, que aborda assuntos como horas extras, impostos, tráfico e muito mais.

Os usuários ligavam para ouvir a apresentadora do New Day New Standard, Christine Yvette Lewis, uma babá corajosa e defensora de direitos de Trinidad e Tobago cujo carisma lhe rendeu um convite para o programa Colbert Report – brincando com a fictícia Dona Sabe Tudo e outros personagens que ligam para o talk show fictício.

O projeto foi lançado em maio de 2012, integrando uma campanha realizada em toda a cidade e liderada por grupos de trabalhadoras domésticas. A cada mês, desde então, a linha direta recebe de 400 a 1.200 ligações por mês. Embora trabalhadoras domésticas sejam o público principal, o projeto e sua mensagem foram levados para um público mais abrangente através da mídia (BBC, revista GOOD, blogs de pais) e por meio de apresentações em universidades, festivais de cinema e na Casa Branca (sim, na Casa Branca).

Em resposta a pedidos de grupos de trabalhadoras domésticas de todo o país, no início de 2014, o REV- liderou uma colaboração que incluiu novas parceiras, como The National Domestic Workers Alliance e a NuLawLab, na criação de uma linha direta nacional para babás cujo conteúdo está sendo criado com trabalhadores nos EUA por meio de um estúdio de design móvel e o laboratório de som NannyVan. A linha direta nacional, apropriadamente chamada de “App da Trabalhadora Doméstica” — mas ainda acessível a qualquer tipo de telefone —, apresenta novas funcionalidades, como a possibilidade de assinar dicas semanais por SMS sobre temas como legislação, história da trabalhadora doméstica, saúde, segurança e o crescimento do movimento.

Ligue para (347) WORK-500 [número estadunidense] para saber mais!

Tática chave

Intervenção de arte pública

Questões como direitos trabalhistas podem fazer emergir problemas espinhosos e amedrontar trabalhadoras domésticas e empregadores. Mas ao se referir a essas linhas diretas como “arte pública”, o assunto se tornou mais acessível e os trabalhadores ficaram mais entusiasmados em participar. Além disso, a referência à sua contribuição como “arte” valorizou sua atuação criativa. Para os empregadores, enxergar o projeto como arte desmantelava suas inibições e permitia que explorassem o tema de uma nova maneira.

Princípio chave

**Assuma a liderança entre os mais impactados**

As linhas diretas de Nova York e nacional foram criadas a partir de histórias, dados e estratégias desenvolvidas por grupos locais de trabalhadoras domésticas. Em colaboração com lideranças locais, o REV- aumentou sua participação por meio de oficinas de contação de histórias que incluíam narrações, esquetes, desenhos e formas atraentes e criativas de contar uma parte fundamental da política.

Faça rir – Muitas vezes, o humor e as brincadeiras podem transmitir informações de modo mais efetivo do que um noticiário objetivo. O sucesso dos programas de rádio fictícios do New Day New Standard foi construído com base nessa premissa.

Lidere com personagens simpáticos – Narrativas baseadas em personagens são um modo divertido e fácil de atrair o público. Os episódios da linha direta de Nova York foram inspirados e escritos com base na personagem de Christine Yvette Lewis, cujo carisma impulsionou a narrativa. A linha direta nacional tem um bando de personagens malucos que demonstram proximidade, cujos diálogos fazem as mensagens grudar.