Tática

Vídeo musical

Sofia Ashraf cantando o rap Kodaikanal Won’t. Foto: captura de tela de vídeo do YouTube.

Em resumo

Vídeos musicais de justiça social combinam o poder contagiante da música com visuais atraentes para expor injustiças e inspirar potenciais aliados para a ação.

A música tem, há muito tempo, desempenhado um papel importante na geração e sustentação de comunidades ativistas e movimentos sociais. Vídeos musicais de justiça social levam este poder a um passo adiante, combinando o poder contagiante da música com visuais atraentes para expor injustiças e inspirar potenciais aliados para a ação. Tipicamente um resultado da colaboração entre músicos, ativistas e cinegrafistas, vídeos musicais de justiça social transformam uma ferramenta clássica — o protesto musical — para a organização comunitária do século XXI e a mobilização em massa no Sul Global.

Em contextos políticos de alto risco, videos musicais de justiça social podem literalmente quebrar o silêncio e preparar o terreno para mobilização local. No norte da Birmânia, a banda de rock BLAST juntou-se em 2010 com o All Kachin Students e Youth Union (Sindicato de Estudantes e Jovens All Kachin), o *Kachin Development Networking Group) (Grupo de Desenvolvimento de Redes Kachin) e o *Kachin News Group* (Grupo de Notícias Kachin) para lançar um álbum de músicas de karaokê que destacava uma emergente crise ambiental. Duas canções de sucesso, "Aka Law" e "Malikha", deram voz aos gritos do rio Mali, chamando a atenção para a destruição ecológica e cultural causada pela represa de Myitsone, construída pelos chineses. As coalizões locais e nacionais foram capazes de arquitetar em cima da consciência generalizada dos impactos destrutivos da represa para montar uma campanha bem sucedida que assistiu à suspensão da construção da barragem em 2011.

O rock e o hip-hop oferecem aberturas rítmicas para canalizar a raiva de maneiras que podem comover aliados e detentores de poder outrora difíceis de alcançar.

Em certos casos, um vídeo musical viral pode transformar uma pequena campanha em uma comoção transnacional - trazendo novos aliados chave que podem alterar a balança de poder. Em 2015, a rapper sul-indiana Sofia Ashraf e o Vettiver Collective reaproveitaram “Anaconda”, de Nicki Minaj, repreendendo a Unilever por sua contaminação por mercúrio em Kodaikanal, Tamil Nadu. O vídeo resultante, “Kodaikanal Won’t,” tornou-se viral, ganhando quase 4 milhões de visualizações e um aumento de assinaturas para uma petição online exigindo justiça para ex-funcionários envenenados. O vídeo catapultou 15 anos de esforços de organização local em um cenário internacional, dando à luta novos aliados transnacionais e cobertura da mídia. Meses de campanha intensificada e um boicote aos produtos da Unilever forçaram a companhia a fazer o que antes era impensável: compensar os trabalhadores de Kodaikanal.

Vídeos musicais de justiça social não apenas remixam músicas populares ou gêneros do hemisfério norte, como também têm contribuído para o renascimento de línguas, música, dança e narrativas indígenas e tradicionais. Um deslumbrante vídeo do coletivo de arte de Nova Iorque Semillas (Seeds), por exemplo, canalizou o poder da dança indígena, hip hop e balé para contar a história dos 43 estudantes de Ayotzinapa desaparecidos no México.

Enquanto as produções de alto orçamento com músicos de alto nível podem certamente comandar uma audiência (veja o vídeo de 2015 "Borders", de M.I.A., sobre a crise dos refugiados), vídeos de baixo orçamento podem ser igualmente poderosos. "Kodaikanal Won’t" foi filmado em apenas um dia.

Em áreas com pouco ou lento acesso a internet, os Video Compact Discs (VCDs) de karaokê de baixa resolução podem ser reproduzidos de forma barata, circulados através de redes informais ou vendidos nas esquinas.

Vídeos musicais podem abraçar uma série de questões com mais eficácia do que o mero discurso. Audiovisuais podem subverter narrativas dominantes contestando afirmações do governo com impactos visíveis na realidade.

Estes detalhes sensoriais podem trabalhar em conjunto com letras poderosas que evocam a hipocrisia dos detentores do poder, como corporações sensíveis ao poder do consumidor ou governos envergonhados pelas vozes dos cidadãos. Enquanto a indignação ativista não costuma encontrar canais produtivos, gêneros musicais como o rock e o hip-hop oferecem aberturas rítmicas para canalizar a raiva de maneiras que podem comover aliados e detentores de poder outrora difíceis de alcançar.

Princípio chave

Espectro de aliados

Um vídeo musical bem planejado pode servir como uma ferramenta de organização impactante para ativar aliados muito necessários. Por exemplo, “Kodaikanal Won’t” conseguiu mobilizar solidariedade transnacional para uma campanha local de longo prazo. Fazendo isso, o vídeo transformou potenciais aliados internacionais passivos em ativos, mobilizando milhares de pessoas a fazer ações nas mídias sociais e boicotar produtos da Unilever. O resultado foi uma trapalhada global de relações públicas que deixou a Unilever sem escolha a não ser finalmente resolver-se com seus antigos empregados que haviam sido envenenados.

Exemplos do mundo real

N'we Jinan Artists - "HOME TO ME"

Introducing the world to the amazingly talented youth of Grassy Narrows First Nation.

“Kodaikanal Won’t” Music Video

Written by Chennai-born rapper Sofia Ashraf and set to Nicki Minaj's “Anaconda,” the video takes an undisguised jab at Unilever.

Semillas Uses Dance, Art to Grow Ayotzinapa Awareness

News segment by Arturo Conde, NBC News.