História

O poder das calcinhas

Juventude em um templo em Rangum. Foto: David McAughtry | CC BY-NC-ND 2.0

Em resumo

Dissidentes birmaneses protestaram contra a junta militar de Myanmar, incentivando apoiadores a enviarem calcinhas às embaixadas estrangeiras e aos altos generais (que supersticiosamente temiam que a roupa íntima feminina enfraquecesse seus poderes).

Em 2007, após uma brutal repressão aos protestos democráticos generalizados, o protesto público em Myanmar (também conhecido como Birmânia) tornou-se impossível. No entanto, a dissidência permaneceu ampla e muitas ações criativas, subversivas e de menor risco proliferaram. Embora elas não tenham sido suficientes para superar o controle dos generais no poder, essas ações serviram para isolar ainda mais seu governo, ajudando as pessoas a superarem seus medos e traumas e se sentirem parte de uma resistência ativa.

Nada quebra o feitiço do poder de forma tão eficaz quanto o riso.

Jogando com o medo supersticioso da liderança militar de que entrar em contato com roupas íntimas femininas poderia tirar o seu poder, o grupo Lanna Action for Burma (Ação Lanna para a Birmânia) convocou as mulheres em todo Myanmar para protestarem contra o regime e seu uso da violência sexual enviando calcinhas para os generais. Apoiadores ao redor do mundo também foram convidados a enviar calcinhas para as embaixadas ou consulados de Myanmar em suas regiões.

O grupo Lanna Action for Burma também utilizou outros meios simbólicos para ridicularizar os militares e enfrentar o governo. A associação com cães de rua é altamente ofensiva na cultura birmanesa, então os ativistas penduraram imagens do General Superior Than Shwe às coleiras de cães abandonados. Em seu aniversário, fizeram bolos em forma de calcinha com o rosto de Than Shwe sobre eles, e os deixaram na rua para alimentar os cães. Mais tarde, para protestar contra as eleições corruptas de 2010, o grupo se envolveu em uma espécie de teatro de guerrilha eleitoral, tentando registrar o [Lanna Panty Party](http:lannaactionforburma.blogspot.com/search/label/LAB%20Panty% 20Party) (Partido das Calcinhas Lanna), circulando um "pantifesto" e prometendo "disputar e ganhar as eleições de 2010, formar um governo de transição e entregar o poder ao povo da Birmânia e, em seguida, tirar um bom descanso com um bom livro e uma cerveja gelada".

Durante um tempo de extrema violência estatal, quando as reuniões públicas foram proibidas, a ação do "poder das calcinhas" ofereceu forma fáceis e de baixo risco para expressar a dissidência. A ação usou de maneira brilhante a superstição e o tabu cultural para injetar humor em uma situação difícil e prejudicar um adversário imensamente poderoso.

Tática chave

Ação distribuída

Em um momento em que reuniões públicas estavam proibidas, essa ação deu às pessoas uma maneira de protestar de forma descentralizada, em seus próprios tempos e em suas próprias vidas, tanto em Myanmar quanto no exterior.

Princípio chave

Use o humor para enfraquecer a autoridade

Essa ação traz à mente a história do imperador que desfilou nu pelas ruas porque haviam lhe dito que somente os incompetentes e estúpidos não seriam capazes de ver suas supostas novas vestes. Em ambos os casos, o poder do governante se revela extremamente vulnerável ao riso e à zombaria, quer seja uma criança exclamando que o imperador não tem nenhuma roupa ou mulheres apontando que os generais estão com medo de roupa íntima. Nada quebra o feitiço do poder de forma tão eficaz quanto o riso.

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