Teoria

“Promoção da democracia”

Um mural em Caracas, Venezuela, mostra Che Guevara, Simón Bolivar e Hugo Chavez nocauteando o Tio Sam, capitalismo e imperialismo. Photo: Alexandre Haubrich | CC BY-NC 2.0

Em resumo

"Promoção da democracia" é o termo que os EUA usam para descrever os esforços para penetrar e controlar sociedades civis emergentes em países-alvo — aqueles com regimes julgados hostis ou instáveis pelos decisores políticos.

Isso não é democracia. É para a política o que o McDonald's é para a comida.

— John Pilger, discurso do Sydney Peace Prize, 2009

Origens

Começou na década de 1980, expandiu-se com o colapso do bloco soviético e a propagação das assim chamadas revoluções coloridas.

Na década de 1980, com as revoltas de poder popular pela Ásia transformando a dinâmica política, a estratégia global dos EUA cambiou da dependência exclusiva de intervenções militares repressivas e ações secretas da CIA para incluir também um componente público denominado "promoção da democracia": a tentativa de penetrar e controlar sociedades civis emergentes em países visados (aqueles com regimes julgados hostis ou instáveis pelos políticos americanos). Dezenas de milhões de dólares americanos foram derramados em programas anteriormente administrados pela CIA, tais como a criação de sindicatos "amigáveis", partidos políticos, alianças feministas, grupos ativistas e meios de comunicação que apoiariam os interesses transnacionais dos EUA. Em parceria com a Fundação Nacional para a Democracia, a AFL-CIO, os comitês internacionais dos partidos democrata e republicano e a Câmara de Comércio dos EUA, ONGs escolhidas por autoridades americanas foram financiadas com o objetivo de construir vozes amigáveis dentro de sociedades civis emergentes para canalizá-las em alianças transnacionais com as elites globais.

Os políticos americanos estão bem cientes de que o impulso radical das ruas, se deixado para se desenvolver de acordo com sua própria lógica, pode muito bem continuar a expandir e tornar-se uma ameaça tanto aos interesses militares estratégicos dos EUA quanto à dominação corporativa.

Esse esforço frequentemente exigia debilitar as formações domésticas radicais que se desenvolviam organicamente através de lutas contra ditaduras apoiadas pelos EUA - como nas Filipinas sob Marcos ou mais recentemente no Egito antes da queda de Mubarak. O objetivo em ambos os casos era sufocar as demandas populares que surgiam de baixo. Os políticos americanos estão bem cientes de que o impulso radical nas ruas, se deixado para se desenvolver de acordo com sua própria lógica, pode muito bem continuar a expandir e tornar-se uma ameaça tanto aos interesses militares estratégicos dos EUA quanto à dominação corporativa. A infiltração dos Estados Unidos em grupos domésticos da sociedade civil é muitas vezes uma medida preventiva destinada precisamente a enfraquecer o potencial radical dos movimentos. Como observou James Petras durante a Primavera Árabe, "O risco de esperar muito, de se manter o ditador, é que a revolta se radicaliza: a mudança decorrente varre para longe tanto o regime quanto o aparelho estatal, transformando uma revolta política em uma revolução social." (Nos casos em que regimes entrincheirados hostis aos Estados Unidos não podiam ser derrubados por meio de uma intervenção militar, como Milošević na Iugoslávia, a oposição estratégica não-violenta liderada por ONGs foi usada como uma tática alternativa.)

(Reproduzido, com permissão, de George Katsiaficas, Asia's Unknown Uprisings, Vol. II: People Power in the Philippines, Burma, Tibet, China, Taiwan, Bangladesh, Nepal, Thailand and Indonesia, 1947-2009. PM Press, 2013.)

Exemplos do mundo real

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Guests Helen Yaffe, José Pertierra and Marta Núñez Sarmiento discuss the protests in Cuba during July 2021.

The War on Democracy

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The astonishing story of how an American-sponsored coup almost led to the collapse of democracy in Venezuela.

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